Houvesse mais agostos desta vida…

Agora que estamos na recta final das férias escolares, sinto que alguns pais estão perto de um esgotamento de ideias e recursos para entreter as suas “criaturinhas insatisfeitas”. Alguns suspiram, “mas quando é que começam as aulas? Nunca mais acaba agosto…”, outros não suspiram porque colocaram os pequenos em algum atl, centro de estudos (até os ajuda a rever a matéria escolar, não vão eles estar esquecidos!), outros não tiveram mesmo outra hipótese porque o emprego  exigente não lhes permite tirar os dias de férias seguidos e apenas passaram uma quinzena do mês (ou uma semana) com os pequenos, agora regressados ao trabalho já desligaram o chip pais e os filhos passam o resto do mês divididos entre familiares e colónias de férias; o que é certo é que nesta altura do ano, parece que anda no ar um certo aroma a desespero!

No meu caso, e tendo em conta que a minha cria (sim, gosto de lhe chamar assim; cri_a , derivação regressiva de cri_ar, cujo significado é dar existência, dar o ser a, gerar, produzir, originar, educar, inventar, fomentar… faço tudo isso!) está em casa o mês de agosto todo, houvesse mais agostos desta vida… bom tempo, gente a dispersar de férias para ali e para acolá, menos filas, menos confusões, mais praia, mais piscina, montanha, banhos de bacia, piqueniques, apanhar amoras, correr, saltar, comer gelados …

O que muitos pais por vezes esquecem, é que as crianças gostam de coisas simples! O tal do desespero acontece porque é vivido com ansia, ansia de iniciar a rotina escolar. Isso rotina. Palavra chata, mas no que toca a crianças, fundamental  (mais tarde irei fazer um post apenas  sobre este tema).
Os pequenos  procuram o sol, a água, a brisa que percorre os seus cabelos e ressoa nos ouvidos numa corrida, o verde dos jardins, a calma do azul do céu, o passarinho que canta no ramo da árvore, o grilo que se esconde no escuro da noite a gri_gri _lar , a lua que brilha no seu esplendor e ilumina a terra com sabedoria … e qual melhor altura do ano que o verão para usufruírem de tudo isto? A natureza é o maior parque temático de sempre! E mais, é totalmente gratuito!

O hábito de enfiar as crianças em casa a ver televisão tardes inteiras (às vezes dias), a jogar pokémons e derivados, em aparelhos como o computador (e derivados), leva, além de inúmeros outros factores, a que as pobrezinhas se sintam insatisfeitas e aborrecidas,claro! Mas entretanto, ali ao lado há um local onde alguns pais costumam levar os seus filhos, porque é cómodo, tem um parque, tem muitas outras crianças a fazer o mesmo e assim até tiram os meninos um bocadinho de casa, que é o shopping. Que é aquele que considero o local de qualquer um, menos das crianças. A minha teoria é, que todos aqueles locais que têm esquemas montados para atraír a atenção das crianças logo à entrada, já demonstra que definitivamente não é local de crianças. Pode parecer estranho, mas pensem comigo. Por quem é que esses esquemas foram montados? Qual é o objectivo desse (falso) entretenimento? Que valor tem algo que não parte do interesse genuíno e da iniciativa de cada criança, mas sim de uma marca ou de uma empresa que tem que faturar? Qual é a mensagem que se pretende passar?

Parece-vos que estes locais são pensados para crianças reais??? As respostas podem incluir vários factos, mas a mim parece-me óbvio que há uma mensagem fundamental que está a ser transmitida : consome!
E isto, é exactamente o oposto do sentir e do ser dos pequenos, pois tal como referi anteriormente, eles não exigem muito. Eles gostam de coisas simples. Estes ambientes e outros similares que infelizmente estão por toda a parte,  é que acabam por criar uma necessidade de ter, consumir, possuir tudo e mais alguma coisa, que na realidade não é inato nos nossos filhos, gerando o sentimento de insatisfação, aborrecimento, entre outros.

Pais, aproveitem esta recta final, para se dedicarem aos vossos filhos, dentro do tempo que vos é permitido (e aqui dêem o vosso máximo, porque eles agradecem e vale muito a pena) nem que seja apenas  num olhar, num sorriso sincero, onde verdadeiramente se encontrem com os vossos filhos.  Escutem a vossa voz interior e deixem fluir o que vos vai na alma, passeiem com os vossos filhos na natureza e deixem-nos ser felizes, melhor, comprovem com os vossos olhos a felicidade que é contemplar o brincar natural no seu devido contexto.
Não há desculpas, estamos em agosto!

Abraço em vocês que me lêem
Lídia


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