És mesmo tótó!

O crescimento exige-nos a criação de variadas infraestruturas aos mais diversos níveis: mental, orgânico, sentimental, espiritual… Nos primeiros anos de vida, esta questão ganha a sua máxima importância, pois o ser humano está no auge da sua formação, do seu nascimento e florescimento.
Nesta fase da vida, é importante que tenhamos consciência disso, nós que somos pais de seres em formação. Uma enorme quota parte da nossa prestação enquanto pais está aqui, essencialmente aqui, em causa. Não somos os superpais perfeitos, porque isso simplesmente não existe (ainda bem!), mas podemos estar atentos. E o que é isto de estar atento? É ter bem despertos os nossos sentidos. Olhar, audição, tato, sabor (para escolhermos sempre os morangos mais doces) e, essencialmente, o coração. Estes são os nossos principais guias, não só para a educação dos nossos filhos, mas também para quase tudo na vida!
Por vezes, sem querer, dizemos coisas às nossas crianças de que nos arrependemos logo de seguida. E isso, na realidade, é bom! É o processo pelo qual temos de passar para ganhar consciência do que é realmente ideal. Pior será quando isso não acontece e damos por nós a ficar cada vez mais loucos e desvairados, com os nervos à flor da pele, sem paciência para as crianças e com a sensação de que na vida tudo vai mal… É neste ponto que, por vezes, nos saem da boca para fora com mais facilidade expressões como “és mesmo totó”, “és uma trenga” ou, como se usa no Norte, “és mesmo morcão!”, “que trapalhão”… Aparentemente, este tipo de expressões pode parecer inofensivo para alguns, mas é necessário termos cuidado com a forma como as usamos. Na verdade, o ideal é não as usar. Mas, quando elas saem da boca para fora, devemos estar conscientes de que estão a entrar diretamente no interior do pequeno ser que ainda está no auge do seu processo de formação e de que essas palavras, quantas mais vezes forem usadas, mais se vão enraizar e ganhar espaço no sentir dos nossos filhos. Porque elas não se enganam no caminho, vão diretas ao coração. Atenção! Porque estes termos tendem a ser aplicados em situações em que a criança, de algum modo, falhou as nossas expectativas. Por vezes, ela não errou, ela nem falhou, ela simplesmente não correspondeu ao que esperávamos dela. Afinal, o que é errar quando se está a aprender?
Espero que este pequeno texto vos sirva, pelo menos, de exercício de reflexão e que promova alguma ponderação nas palavras.

Um abracinho,
Lídia


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