Bi(za)rra forma de expressão!

Tendo em conta a minha experiência enquanto mãe, que diga-se de passagem é de 3 anos, que até pode parecer pouco mas que contabilizado em intensidade são 30, as birras das nossas crias são como monstros gelatinosos, pelo impacto do efeito físico que criam nos nossos filhos idêntico ao aspecto da gelatina, que se move pelo chão e nos escorrega das mãos quando os tentámos levantar do chão e acalmar. Mas não nos escorrega só das mãos. Escorrega também do nosso coração, pois muitas vezes, ficamos ali meio perdidos sem saber o que fazer. Normalmente, acontece um pouco antes daquele momento em que temos vontade de os engolir, só para se calarem um bocadinho (na barriga não faziam tanta algazarra).
Bom, mas na verdade, este é um tipo de desespero que podemos trabalhar tentado compreender melhor o que é isto de fazer birras. Com este post, irei tentar de uma forma sumária, dar algumas dicas acerca do que já experimentei em algumas situações de birra, e que ultimamente, confesso, têm sido “mato”.
Antes de mais, se a criança chora ou faz birra, está a ajudar-nos a entender que esta é a válvula de segurança que o seu corpo utiliza em situações em que sente algo menos bom, por exemplo, frustração, medo, entre outros, e é importante para nós perceber que devemos permitir que esses sentimentos sejam compreendidos e respeitados. A criança tem necessidade de expressar o que sente, sem que do outro lado esteja alguém a julgar, ou a classificar o que está a vivenciar. Por vezes as atitudes de querer parar a birra que o filho está a fazer, ou deixar que isso desperte um sentimento de raiva em nós, pode deixar a criança bastante insegura, angustiada, pois ela vai perceber que quando faz birra, não existe espaço para a compreensão mas sim para sentimentos “maus” vindos dos pais. Sentirá que não é apoiada.
Algumas pessoas optam pela postura “esperar que passe”. A mim, não me parece a melhor forma de abordar a situação de birra. O ideal será fazermos a criança perceber que estamos ali, e estamos para ajudar e ouvir. Devemos permitir que a criança expresse dor, raiva, frustração, entre outros, sem reprimir ou ignorar (mais tarde podem mesmo ser geradas doenças no corpo através da repreensão destes sentimentos).
No entanto, ela precisa por vezes de ser contida, em casos mais extremos, quando magoa alguém (puxa os cabelos, dá pontapés, morde…) e para isso ela deve ser fisicamente contida, não aprisionando, dando espaço para que se movimente. O ideal é segurar com firmeza ao longo do tronco, de costas voltadas para nós, para que se possa agitar sem nos magoar. Se estiver no chão, os objectos que estiverem perto devem ser retirados para que não se magoem. Quando respeitamos os limites das crianças elas aprendem que somos atentos e compreensivos com os seus sentimentos e aprenderão a fazer o mesmo com os outros.
Numa birra, a criança está tão dominada pelo seu conflito interior, que não vale a pena estarmos a tentar explicar ou a relativizar a questão. Tudo o que ela precisa de nós naquele momento é presença. Presença com sentido e com amor. Não precisa de gritos, nem de ser ignorada, nem de uma sapatada, muito menos ainda que trocem dela, “pareces um bebé”, “os outros estão todos a olhar para ti”, “olha aquele menino que lindo,está a portar-se bem, não faz birras como tu”!
Em vez disso, podemos estar perto e dizer algo do género “está tudo bem”, “vai passar”, “queres um colinho?” (no caso da minha filha a última resulta muito bem, vem a correr). Tudo o que elas precisam é de ser tranquilizadas, porque a “tempestade” subitamente tomou conta delas, por alguma questão que por vezes não entendemos, nem vale a pena procurar entender. Nem explicar. Porque quando o choro começa a cessar e a criança começa a voltar a si, esse é o momento em que devemos validar o que ela passou. “Eu compreendo o que estás a sentir. Querias (algo) e eu disse que não. Sei que estás zangado.” O melhor é não tentar explicar mais nada. Pelo menos na criança pequena.
Vale, estar. Estar com o coração aberto e perceber que este é um momento díficil que com a nossa ajuda pode ser mais fácil ultrapassá-lo.
Não somos nós pais, aqueles que damos beijinhos que curam tudo? 

Um abracinho em vocês
Lídia


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