Famílias perfeitamente imperfeitas, verdade?

Quando pensam em família têm sensações diferentes? Um dia pensam em conforto, no outro em desordem? Num dia pensam em união e no outro só querem distância? Se sim ainda bem, é a beleza da perfeita imperfeição que são as famílias.

A primeira imagem que construímos dos nossos pais é perfeita, imaculada e  estóica. Melanie Klein fala no processo de clivagem que os bebés fazem em relação às suas mães, por não as conseguirem perceber como “objecto bom ou mau” ao mesmo tempo, contido na mesma pessoa.

Demora algum tempo até que esta desconstrução de imagem de pais como espelho da perfeição, se desvaneça. Mas acaba por acontecer, o processo de maturidade permite-nos perceber que todas as pessoas têm características boas e más, até mesmo a nossa família, até mesmo os nossos pais.

Quando faço aconselhamento parental, a minha primeira preocupação é que não existam processos de culpabilização e auto culpabilização. Acredito que cada um está a fazer o melhor que sabe, o melhor que pode. A minha segunda preocupação é ser numa primeira fase apenas observadora, cada família tem dinâmicas próprias, o que é uma excelente estratégia para uns é um erro crasso para outros. Só depois, é que se fala de novas estratégias, novas competências com que todos concordem, com que todos se identifiquem, onde há a valorização do papel de cada um, onde todos se ouvem e são ouvidos.

Não acredito em verdades absolutas, para cada teoria haverá um estudo que a comprove e outro que a desminta. Por isso o mais importante é perceber o que funciona melhor para cada família.

No entanto, com todas as diferenças, com todas as imperfeições inerentes, naturais e saudáveis de cada família, acredito que há três coisas que têm de estar sempre presentes: amor, apoio/segurança, limites.

O amor ensina-nos a amar, o outro e a nós próprios, torna-nos empáticos, compreensivos, construtivos, confiantes e de confiança.

O apoio/a segurança fazem-nos ser destemidos, corajosos, ajudam-nos a aceitar as imperfeições e erros, constroem auto-estima, ensinam-nos a ser rede de suporte.

Os limites ajudam-nos a perceber quando é tempo de parar e tempo de ir mais além, ensinam-nos o que é respeito, por nós e pelos outros.

Estes são os pilares que considero mais importantes para as famílias “im-perfeitas”.

E vocês?

Abraço

Raquel Santos

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3 thoughts on “Famílias perfeitamente imperfeitas, verdade?

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