Amor – a distância entre a saudade e o reencontro

O calor do teu abraço distancia-se cada vez mais. Faz-me lembrar os últimos dias de verão, em que ainda se sente o calor do Sol no corpo, mas as noites estão mais frias. Assim estão as minhas noites sem ti. Salva-me saber que o outono traz consigo agasalhos que me permitem encontrar conforto na tua ausência. Talvez até passe a gostar de castanhas, só para sentir as mãos aquecidas pelo cartucho de papel, para fechar os olhos e pensar que são as tuas mãos que aquecem as minhas, enquanto sussurras: «dá-me as tuas mãos» e as envolves nas tuas e lhes sopras devagarinho. Salva-me o inverno, os aquecedores, as lareiras, os livros, os dois pares de meias e eu saber que na primavera estás de volta.

Sinto o cheiro a café, aquele que tu gostas de beber à janela todas as manhãs. Recordo as nossas manhãs apressadas, em que ando de um lado para o outro para ver se não me esqueço de nada. Em todas elas, paro, olho para ti, vejo-te de perfil, perfeitamente enquadrado nas janelas, as folhas das árvores balanceiam-se lá fora e a tua mão segura firmemente a chávena. Na minha cabeça o tempo pára enquanto te contemplo. Fazes-me voltar ao mundo com a tua voz doce. Perguntas-me: «queres que te tire um café?»


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